
Abre o telemóvel para ver uma mensagem e encontra uma promoção. O produto parece interessante, o desconto termina em breve e surge aquele pensamento: «Se não comprar agora, vou arrepender-me.»
Há poucos minutos, nem estava a pensar nisso. Agora, está a comparar cores, a procurar o cartão e a imaginar onde vai colocar a nova compra.
Com a aproximação da Black Friday, a 27 de novembro, vale a pena prestar atenção a este intervalo entre ver uma oportunidade e sentir que precisamos de a aproveitar. Comprar pode ser útil e dar prazer. A questão é perceber quanto espaço temos para escolher.
Quando a pressa entra na decisão
Mensagens como «últimas unidades» ou «só durante mais dez minutos» podem tornar uma decisão aparentemente urgente. Algumas correspondem a condições reais; outras usam uma escassez que não existe. Autoridades de proteção do consumidor já documentaram, por exemplo, contadores que sugerem um prazo limitado quando a oferta não termina nesse momento.
Imagine que precisava de substituir umas sapatilhas e aguardava uma promoção. Encontra um par adequado e decide comprá-lo. Noutro dia, recebe um anúncio de um aparelho que nunca procurou e passa a recear perder o desconto. São situações diferentes, mesmo que ambas terminem com uma encomenda.
Uma pergunta pode ajudar a distinguir o interesse pela compra do interesse pela oportunidade: «Se este produto não estivesse em promoção, continuaria a fazer sentido para mim?»
Não é um teste com uma resposta certa. É uma forma de recuperar algum tempo para pensar.
O que levamos connosco para o carrinho
As decisões de compra não acontecem separadas do resto da nossa vida. A investigação experimental sugere que a tristeza pode influenciar quanto estamos dispostos a pagar em determinadas circunstâncias. Isso não permite concluir que todas as pessoas compram mais quando estão tristes, nem que uma compra impulsiva revela um problema psicológico.
Pode, ainda assim, ser útil observar a sua experiência. Depois de um dia frustrante, procura uma coisa de que precisa ou apetece-lhe ter algo agradável por que esperar? Quando chega a encomenda, mantém a satisfação ou começa logo a procurar a seguinte?
Estas perguntas servem para conhecer um padrão, sem transformar cada compra num motivo de culpa. Também é possível gostar de comprar e tomar decisões ponderadas.
Criar uma pausa possível
Antes de finalizar uma compra não planeada, experimente anotá-la e voltar a ela mais tarde, quando puder decidir com calma. Pode fechar a aplicação, silenciar notificações promocionais ou rever uma lista do que já pretendia adquirir.
Repare também no que estava a acontecer antes de começar a procurar produtos. Talvez estivesse aborrecido, sozinho ou a precisar de descanso. Nesse caso, pode perguntar-se se existe outra resposta que também lhe faria bem naquele momento: conversar com alguém, sair um pouco ou interromper um dia demasiado exigente.
Se as compras se repetem de uma forma que sente dificuldade em controlar, trazem sofrimento ou começam a interferir com a sua vida e relações, merece ter espaço para falar disso sem julgamento.
Na Psicologias da Sofia, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender o que está a viver e a explorar formas de lidar com essas dificuldades. Uma promoção pode ter prazo; compreender aquilo de que precisa pode começar com uma pausa.
Fotografia: Nataliya Vaitkevich / Pexels.
















