
Há quem goste de um bom susto no Halloween. Outros preferem ficar pelas abóboras e pelos chocolates. Mas, fora desta noite, há medos com os quais nem sempre sabemos o que fazer.
Não falamos de fantasmas. Falamos do receio de dizer “não” e magoar alguém. De experimentar algo novo e correr mal. De pedir ajuda e ouvir que devíamos conseguir sozinhos.
São medos que podem passar despercebidos, até para nós. Dizemos que ainda não é a altura certa, que não vale a pena falar ou que preferimos tratar de tudo. E, por vezes, é mesmo isso que queremos. Noutras, estamos apenas a tentar evitar o desconforto.
“E se correr mal?”
Imagine que há uma conversa que anda a adiar. Sabe o que gostaria de dizer, talvez até tenha ensaiado as palavras, mas acaba sempre por deixar para outro dia.
Entretanto, pensa na reação da outra pessoa. E se ficar zangada? E se não compreender? E se a relação mudar?
O medo vai ocupando espaço e a conversa continua por ter.
Sentir medo não significa que haja algo de errado consigo. É uma emoção que nos ajuda a proteger-nos. A dificuldade surge quando, para nos sentirmos seguros, começamos a abdicar demasiado daquilo que precisamos ou desejamos.
Começar por perceber o que está em causa
Antes de se exigir mais coragem, procure perceber o que o assusta naquela situação. Receia uma crítica? Uma discussão? A possibilidade de não conseguir?
Dar um nome ao receio pode ajudar a distinguir o que está realmente a acontecer daquilo que imagina que poderá acontecer.
Depois, pense num passo que consiga dar. Se precisa de estabelecer um limite, pode começar por uma situação mais simples. Se quer pedir ajuda, escolha alguém com quem se sente à vontade. Não precisa de resolver tudo no mesmo dia.
E, se não correr como esperava, isso também não significa que tenha sido um erro tentar.
Quando precisa de apoio
Há medos que conseguimos enfrentar com tempo e apoio de quem nos rodeia. Outros repetem-se, desgastam-nos e acabam por limitar as nossas relações e escolhas. Nessas situações, procurar acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender o que se passa e a trabalhar essas dificuldades.
Neste Halloween, pode deixar os fantasmas à porta. Mas talvez haja uma conversa, um pedido ou uma decisão que mereça a sua atenção.
Há alguma coisa que gostaria de fazer, mas que o medo tem levado a adiar?
Sofia Vizinho
Psicóloga Clínica e da Saúde
Fotografia: Yaroslav Shuraev / Pexels.













