
Sabe o que tem para fazer, reconhece a importância da tarefa e, ainda assim, continua a adiá-la. Mesmo imaginando a satisfação de a concluir, começar parece particularmente difícil.
Entretanto, ouve comentários como «És preguiçoso!», «Se sabes que tens isso para fazer, porque não fazes?» ou «Falta-te disciplina!». Por vezes, é a própria pessoa que se dirige assim a si mesma. Estas críticas podem aumentar a culpa e a frustração, tornando ainda mais difícil lidar com a tarefa.
Mas o que pode estar por detrás deste adiamento?
Nem todos os adiamentos são procrastinação
Reorganizar prioridades, descansar ou esperar por informação necessária pode ser uma decisão adequada. A procrastinação acontece quando adiamos uma tarefa que pretendíamos realizar, sem uma razão que justifique esse adiamento, apesar de anteciparmos que isso nos poderá prejudicar.
Existe uma distância entre aquilo que queremos fazer e aquilo que conseguimos pôr em prática. Reduzir essa dificuldade a «preguiça» deixa de fora processos que vale a pena compreender.
Quando adiar alivia o desconforto
Imagine que precisa de preparar uma apresentação. Ao pensar em começar, surge o receio de não estar à altura. Ou sente frustração por não saber como organizar as ideias. Decide então consultar o telemóvel ou tratar de uma tarefa mais simples.
Durante alguns minutos, sente alívio: já não está tão em contacto com aquilo que lhe provocava tensão.
Este é um dos mecanismos que podem contribuir para a procrastinação: evitar o desconforto associado à tarefa. O alívio imediato pode aumentar a probabilidade de voltar a adiar, mesmo que as consequências posteriores sejam desagradáveis.
Pode, assim, formar-se um ciclo: a tarefa provoca desconforto, o adiamento traz alívio temporário e a aproximação do prazo aumenta a pressão e a culpa.
A regulação emocional — a forma como lidamos com as emoções — ajuda a compreender este processo, mas não explica todos os casos. A organização, o planeamento e a capacidade de manter um objetivo em mente também podem ter um papel. Estas capacidades envolvem processos conhecidos como funções executivas. Ter dificuldade em começar uma tarefa não permite, por si só, concluir que existe uma perturbação.
O que pode ajudar a dar o primeiro passo
Não existe uma estratégia que resulte para toda a gente, mas algumas experiências podem ajudar:
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Tornar o primeiro passo concreto. Em vez de «fazer a apresentação», experimente «abrir o documento e escrever três ideias».
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Começar por um período curto. Reserve cinco ou dez minutos, sem exigir a si mesmo que termine tudo. É uma experiência para facilitar o início, não uma regra rígida.
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Definir quando e onde. Por exemplo: «Amanhã, depois do pequeno-almoço, vou trabalhar na apresentação durante quinze minutos».
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Preparar o ambiente. Deixe os materiais acessíveis e, se o telemóvel o distrai, experimente colocá-lo fora do alcance durante esse período.
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Trocar a crítica por curiosidade. Pergunte-se: «O que me está a custar nesta tarefa?». Reconhecer o receio de falhar, a incerteza ou o aborrecimento pode ajudar a perceber de que precisa.
Se o adiamento se repete, provoca sofrimento ou interfere com o trabalho, os estudos ou a vida pessoal, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender esse padrão e a encontrar estratégias ajustadas à sua situação.
Na Psicologias da Sofia, pode encontrar um espaço para explorar estas dificuldades, sem as reduzir a falta de vontade ou de disciplina.
Fotografia: cottonbro studio / Pexels.















